Como falar de morte com as crianças – II

23 de setembro de 2022

Design sem nome (2)Dando continuidade ao artigo anterior, vamos abordar agora sobre os cuidados que os adultos devem ter ao comunicar às crianças notícias de morte.

  1. Não dizer meias-verdades

Não prometa que quem morreu vai voltar, porque a criança, nessas horas, já tem dificuldade para distinguir a fantasia do real. Não é prudente dizer a uma criança, que tenha perdido seu irmãozinho, por exemplo, que Deus, por muito amar as crianças, o levou para o céu. Isto poderia gerar uma grande mágoa contra Deus, o que poderia se transformar mais tarde, numa autêntica depressão psicótica, como acontece, por exemplo, a uma menina que recebeu este tipo de orientação e quando mulher, perdeu um filho.

  1. Ajude a criança a descarregar seus sentimento

A criança precisa aprender a descarregar seus sentimentos, sejam eles quais forem. Devemos lembrar-lhes das coisas boas e do amor que a pessoa que morreu tinha por elas. A tristeza é uma reação natural e precisa ser expressada (chorar é bom, traz um imenso alívio). Infelizmente, temos presenciado, com certa freqüência, pessoas tentando conter o choro de alguém que perdeu um ente querido. Isto é um absurdo. Como não chorar a morte de uma pessoa querida? Diante de tal situação, o mais prudente seria confirmar aquele choro, dizendo à pessoa enlutada que suas lágrimas são reveladoras do amor e da estima dedicados àquele que partiu. Dizer também, que entende aquela dor.

Em seguida, tentar confortar a pessoa com a esperança da vida eterna, prometida a todos os que, em vida, amaram a Jesus Cristo.

Quando os sentimentos são comunicados sem ser reprimidos, quando há liberdade para se chorar, sem recriminação, quando a esperança cristã é oportunamente lembrada, a pessoa (tanto crianças como adultos) pode aceitar, com mais otimismo, a morte de um ente querido.

A criança também deve ser estimulada a falar de suas lembranças a respeito daquele que morreu. Se para algumas pessoas isto pode ser sentido como um prolongamento da dor da perda, para outras, serve como alívio.

  1. Evitar os detalhes mórbidos

Além de não ser importante para a criança, pode causar-lhe muitas dificuldades. Os adultos devem procurar ver as coisas do ponto de vista da criança e não impor-lhe os seus problemas sofisticados à sua maneira de pensar.

À criança falta-lhe maturidade para compreender certas situações da vida, e existem coisas que o mundo infantil percebe de modo bem diferente do mundo adulto. De modo que, certas verdades, precisam ser bem medidas antes de serem comunicadas a uma criança, a fim de não se correr o risco de deformar a sua compreensão dos fatos.

  1. Evitar a atitude de desespero

Ao comunicar a morte para uma criança, devemos evitar o ar de desespero, como se o mundo todo estivesse desabado. Isto não significa que tenhamos de esconder dela as nossas lágrimas e até fingir que não estamos sofrendo. O fato de nos vir chorando pode dar a criança a compreensão real do que sentimos com a morte de uma pessoa querida. A morte nos causa dor, tristeza, nos faz sofrer, o que é próprio da existência humana.

Por outro lado, o desespero de um adulto diante da morte pode levar a criança a imaginar que a sua vida está profundamente ameaçada, e isto, a torna muito insegura. Diante da realidade da morte na família, o adulto deve comunicar o fato à criança, procurando, mesmo em meio à dor do momento, usar um timbre de voz moderado e dizer que todos estão sentindo a dor daquela separação.

É aconselhável falar também a respeito de como acreditam que aquela pessoa que morreu esteja agora, diante de Deus. Enfim, assegurar à criança presença, carinho e proteção, que ajudarão a superar melhor a perda experimentada.

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Por: Risan-Joper

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