O pai e a sua importância na vida da criança

4 de agosto de 2021

Design sem nome (8)Quando nos referimos ao papel do pai, estamos considerando tanto pais (homens) solteiros quanto casados.

Seu papel

O papel do pai tem passado por mudanças no decorrer dos tempos. Houve época em que ele era um mero ditador de regras e normas a serem obedecidas. Ao longo dos tempos, tem ocorrido uma mudança neste papel, de maneira que hoje já podemos delinear pais mais presentes. No entanto, o ideal ainda está longe de ser real.

Quando falamos sobre o ideal no papel de pai não estamos falando sobre perfeição, pois perfeição não existe, quando se fala de ser humano.  Mas, apesar de suas limitações, existe uma pressão muito grande sobre os pais nos dias atuais. Sobre isto, vale a pena citar Jurandir Costa, em seu livro “Ordem Médica e Norma Familiar”; ele fala: “Amar e cuidar dos filhos tornou-se um trabalho sobre-humano, mais precisamente, ‘científico’. Na família burguesa os pais jamais estão seguros do que sentem ou fazem com suas crianças. Nunca sabem se estão agindo certo ou errado. Os especialistas estão sempre ao lado, revelando os excessos e deficiências do amor paterno e materno”.

Expandindo um pouco mais esta ideia, podemos dizer que ainda mais os pais encontram-se nesta dúvida e pressão, pois a sociedade tem melhor definido o papel da mãe, enquanto o do pai passa por ajustes, visto cobrar-se mais da parte dele a participação na criação dos filhos, o que não era tão cobrado em outros tempos.

Dito isto, pensamos que o papel do pai deva ser, sim, um papel mais definido, mais claro; onde o diálogo e a compreensão permeassem um relacionamento que não fosse só de disciplina e educação, mas de amizade e companheirismo, comunicação aberta e brincadeiras entre pai e filho.

Sua função

Cremos que sua função principal, tanto quanto a da mãe, é de educar seu filhos, de ser participante ativo dessa educação. No entanto, o que podemos observar é que, infelizmente, isto ainda está um pouco aquém do desejado, apesar de já observarmos um movimento em torno desta questão.

Quando falamos de educação, queremos falar sobre formação de personalidade, e caráter, de referência do masculino, do ser homem.

Nem sempre a função do pai é introduzida de uma maneira simples. O relacionamento instituído entre mãe e filho, desde a gestação, vai se perpetuando e excluindo a participação paterna. Para inaugurar sua função o pai precisa introduzir-se e interferir na relação mãe-filho. O que deveria acontecer de modo natural, precisa ser feito forçadamente pelo pai.

Um exemplo claro disto, podemos ver no caso citado no livro de Fernanda Otoni de Barros, “Do Direito ao Pai”, nas páginas de 86 a 91, onde a criança, que tinha um pai biológico e outro funcional, acaba ficando sem nenhum dos dois por causa das atitudes da mãe. Inclusive a maneira como a criança via o pai, dependia do que sua mãe lhe passava. Eis o que diz a referida escritora, na página 89, 3º parágrafo: a criança “sabia que tinha 2 pais e que um era bom e outro mau. Um fazia a mãe chorar e do outro a mãe gostava. Sua referência passava pelos olhos da mãe”.

Em casos como este, a função do pai só ficará estabelecida quando ele, apesar de todas as dificuldades, conseguir romper o “cordão umbilical” e fazer parte da vida do filho de maneira efetiva, onde o sentimento entre os dois será forte o suficiente para  perpetuar o relacionamento.

Um lugar único

Ouvindo as histórias contadas por pessoas que nos procuram para terapia ou aconselhamento, podemos delimitar muito bem a importância que o pai tem na vida da criança. Infelizmente temos de reconhecer que muitas e muitas vezes o lugar do pai fica vazio na vida da criança e o efeito dessa ausência se prolonga pela vida toda, inclusive a adulta.

O pai tem um lugar único, se assim não fosse, não ouviríamos muitas crianças perguntando: “(Mãe, vô, Tio, Professora, Pastor) por que Deus não me dá um pai? Toda noite eu peço a Deus que me dê um pai, mas ele não me dá”  (do livro de Tony Evans, “Pais Solteiros”, página 3).

Qualquer figura masculina na vida da criança sem pai será bem vinda, será importante, porém nenhuma delas substituirá o pai. Certa vez, um menino de 8 anos, filho de uma cliente, simplesmente dispensou a presença do avô na festa do Dia dos Pais na escola, pois dizia ele: “Não adianta ir outra pessoa que não seja meu pai, eu queria que fosse ele, mas ele foi embora.”  E em seus olhos  podíamos ver refletidas a tristeza e a saudade. Pai é pai, não dá pra fazer de conta que não é. Em nossa cultura é assim e ainda será por muito tempo.

Uma imagem refletida

A razão principal pela qual o pai deve ter um relacionamento adequado com seu filho, é porque um dia esse filho se tornará adulto e levará essa imagem refletida por toda sua vida. E Essa imagem deve ser a de alguém real e não de uma pessoa idealizada.

Há alguns anos, preparando uma apresentação para ser apresentada pelas crianças no Dia dos Pais, fizemos uma enquete com 7 crianças.  Foi interessante observar a imagem que tais crianças tinham de seus pais. Eis algumas delas: Juliana, com 8 anos, dizia: “Meu pai é bonito, compra várias coisas  que eu quero, isso eu gosto, mas quando ele sai pra trabalhar e me deixa sozinha, eu não gosto.”  Vinícius, 9 anos, falou: “Gosto quando ele me dá presente, passeia, joga bola comigo, mas quando ele me bate, quando fica descansando e não liga pra mim eu não gosto.”  Samuel, 6 anos: “ Gosto do meu pai quando ele pode passear comigo. Quando ele bate na minha irmã e quando só compra roupa pra ela não gosto não.”  Priscila, 8 anos: “Não gosto quando meu pai fala grosso comigo e quando promete uma coisa que não cumpre, mas gosto muito quando brinca que é monstro pra pegar eu e minha irmã.”

Em todos estes exemplos, observamos claramente que esses filhos e filhas tinham aprendido algo muito importante: seus pais faziam muitas coisas das quais elas gostavam, mas também faziam muitas coisas das quais elas não gostavam. Dessa forma, elas estavam obtendo uma imagem real de seus pais – pais humanos – gente que acerta e erra.

Essa imagem, é uma herança preciosa que os filhos carregam, herança que se refletirá na maneira como serão pais mais tarde; uma herança quase que perpétua, pois será passada de geração para geração, perpetuando a imagem do pai, a função do pai, a importância do pai na formação de um adulto.

Conclusão

Pai é pai. Mãe é mãe. Duas pessoas diferentes, com papéis diferentes, com funções diferentes. Quando um homem tem um filho sendo solteiro ou quando o casamento se desfaz e o homem vai embora, não retira dele a tarefa de ser pai. Pode ser que ele não seja o provedor da casa, o protetor da família, o marido. No entanto, ele será sempre o pai. Não dá para, simplesmente, ignorar este fato. O relacionamento com a mãe da criança pode ser “ilegítimo”, mas a criança nunca será ilegítima, ela é filha desse pai, portanto ele é, de fato, um pai legítimo.

Irresponsavelmente, temos visto pais colocarem de lado esse papel tão belo, essa função tão importante, ignorando seu lugar e importância na vida de uma criança que um dia se tornará cidadã, inserida num contexto social que requererá dessa pessoa comportamentos e atitudes que era da responsabilidade de seu pai ter-lhe ensinado.

Citações:

  • HERSEY / BLANCHARD – Psicologia para a Vida Familiar, Editora Pedagógica e Universitária – 1986, SP.
  • JERSILD, Arthur T. – Psicologia da Criança – Ed. Itatiaia, 1977, BH.
  • EVANS, Tony – Pais Solteiros – Ed. Vida, 1997, SP.
  • RUTHE, Reinhold – Prática do Aconselhamento Terapêutico – Ed. Luz e Vida, 2001, PR.
  • Apostila – Uma Questão: O Que é um Pai?
  • Apostila – Ordem Médica e Norma Familiar.

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Por: Psic. Elizabete Bifano

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