Pai – Por que ele é tão importante?

2 de agosto de 2021

semana da paternidadeUma das maiores necessidades hoje é ensinar os homens a exercerem satisfatoriamente o papel de pai.

Muitos ainda não perceberam os estragos que podem ser causados à formação da personalidade ou caráter de uma criança pela ausência, seja física ou emocional, dessa figura tão importante.

Dennis e Bárbara Rainey, no livro “Meditações diárias para casais”, contam que, nos EUA, uma empresa de cartões distribui para os presos de uma penitenciária cartões alusivos ao Dia das Mães. Em pouco tempo os cartões acabaram, tal a procura dos cartões por parte dos presos, no desejo de enviarem para suas queridas mães. O mesmo foi feito na semana do Dia dos Pais. O resultado foi frustrante. Quase ninguém procurou os cartões disponibilizados. “A maior parte dos presos cresceu em lares em que o pai tinha abandonado as responsabilidades para com a família”, conclui Rainey.

Há tempos atrás, ouvindo uma entrevista do Dr. Drausio Varella, autor do livro “Estação Carandiru”, onde narra sua vivência como médico naquela penitenciária paulista, ele falou da ausência de homens visitando os seus filhos. O que via sempre, nos dias de visita, era mais a presença de mulheres (mães e esposas). Passando, às vezes, em frente a algumas penitenciárias cariocas, no dia de visita, percebo a mesma coisa.

Longe de chegar à conclusão de que a presença exclusiva da mãe seja fatal para a formação da personalidade de uma criança, o que chama a nossa atenção é a ausência do pai. “Os efeitos da interação da mãe com os filhos são significativos. Mas, nossos estudos indicam que a influência do pai pode ser muito mais extrema, seja este efeito bom ou mau”, afirma John Gottman, autor do livro “Inteligência emocional e a arte de educar nossos filhos”.

Então, voltemos à nossa pergunta: por que o pai é tão importante na vida de uma criança?

Gordon MacDonald, em seu livro “Segredos do coração do homem”, nos responde, em parte, esta pergunta. Escreve ele: “É o pai quem mostrará ao filho o caminho da masculinidade, aquilo que o garoto deve vir a ser. Sua mãe não se acha preparada para isso; não se deve esperar dela que o faça. Quando o menino acorda para a presença do pai, e percebe o elo profundo que é preciso desenvolver entre ambos, tem início sua viagem rumo à masculinidade”.

Se para um menino a presença saudável do pai lhe dá condições de desenvolver positivamente sua masculinidade, na vida das meninas os pais (no sentido masculino) são, como afirmam Jack e Jerry Schreur, no livro “Pais e filhas”, as primeiras pessoas que elas olham para obter uma imagem sobre o que o homem é e como ele deve ser. “Você (dirigindo-nos ao pais) e eu representamos todo o sexo masculino para nossas filhas, durante os primeiros anos de suas vidas. Elas aprendem a amar ou odiar os homens, em grande parte, através do relacionamento delas conosco.

Elas aprendem a confiar ou não nos homens, em grande parte, pelo que nós demonstramos para elas. Elas aprendem sobre uma intimidade correta, sobre compartilhar os bons momentos e sobre o amor, conosco. Isso é uma responsabilidade enorme”, afirmam Jack e Jerry.

Outro fator de grande importância da figura do pai está na própria formação religiosa da criança, mais precisamente o seu relacionamento com Deus, o Pai Eterno. “A relação com o pai irá afetar também como a criança enxergará Deus durante toda a sua vida”, afirma o Pr. Luciano Vilaça, autor do livro “De pai pra filho”. Conheci uma pessoa que, por não ter tido um bom relacionamento com seu pai, teve tremendas dificuldades de relacionar-se com Deus na perspectiva de Pai. Foram precisos alguns anos de trabalho psicológico para desvincular as marcas de seu pai biológico com a figura de Deus enquanto Pai.

Muitos outros aspectos poderiam ser observados, mas, para concluir, cabe uma última colocação. E aquelas famílias em que o pai não está presente? O importante neste caso é inserir a presença de alguém que possa suprir essa carência de masculinidade. Pode ser o avô, um tio, um amigo da família ou um líder da igreja.

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Por: Pr. Gilson Bifano
Escritor, conferencista na área de casamento e vida familiar. Diretor do Ministério OIKOS. oikos@ministeriooikos.org.br

 

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